“Manuel Fúria ocupa em Portugal um espaço que é só seu. Desde a criação d’Os 400 Golpes que renegou a influência dos vultos internacionais de que o rock português se alimentava (e alimenta ainda) para forjar para si uma nova linhagem da qual conseguiu ser o legítimo herdeiro, matando à nascença qualquer impertinente aspirante ao trono (…).

Neste novo álbum, Fúria afirma sem pudor ser um ladrão e é sem vergonha que nos diz quem andou a roubar, para nos mostrar não só de onde vem mas para onde quer ir.

Aqui não encontramos Strokes nem Tame Impala porque Os Náufragos vêm de outro lado, do lado de O’Neill, Sophia e Ruy Belo, do lado de Curtis e de Hook, do lado de João, Mateus, Springsteen, Marcos e Lucas. E, evidentemente, dos Sétima Legião. (…)

Fúria não quer ser o Bandarra que se senta a lamentar o fim de Portugal e da portugalidade, nem quer ser o velho que maldiz a errância da nação e que pede ao país que finalmente se cumpra. Fúria quer roubar como quem canoniza.

E agora eu calo-me. Dancem.”

João Pedro Vala